ENEM DA DOUTRINAÇÃO

image

Vários foram os comentários criticando a prova o ENEM de 2015, pelo conteúdo das questões e os temas abordados. Mas, afinal de contas, qual é o problema dos temas abordados ou das questões?

Houveram, em História, questões sobre a Idade Média, sobre a era Vargas, sobre a ditadura no Brasil… temas recorrentes, não apenas no Enem, em qualquer vestibular ou prova de história.

As surpresas, que geraram comentários, foram a citação de textos de autores considerados feministas ou adotados por feministas, como Simone Beauvoir, e o tema da violência contra mulher. E, então, começam, por isso, as acusações de “doutrinação marxista” e coisas do tipo.

O fato é que o Enem, enquanto exame de qualificação dos alunos oriundos do ensino médio precisa analisar a capacidade dos alunos de abordar temas que estão sendo debatidos no momento em que eles vivem. Violência contra a mulher e debates de gênero e identidade sexual são questões que fazem parte da mídia brasileira a alguns anos e, devido a movimentos sociais recentes, tem crescido continuamente sua visibilidade. Elas precisavam estar na prova.

Um tema que estava na prova, é atual, e não gerou polêmica, foram os atentados terroristas aos centros históricos no Iraque. Qual a razão para essa questão, por exemplo, não ter sido comentada nem ter se tornado pauta das redes sociais?

Criticar as pautas ditas feministas em uma prova de ensino médio, que busca alinhamento com o mundo atual, parece mais importante que ressaltar seu caráter de luta pelas minorias, pela preservação da história e pelo reconhecimento da igualdade entre os indivíduos, que enquanto humanidade deveriam viver em paz.

O texto de Simone de Beauvoir apenas foi usado para ilustrar acontecimentos sociais do passado que ainda reverberam na atualidade. Não tem por objetivo doutrinar ninguém, mas sim despertar para debates e discussões. E pelo visto atingiu seu objetivo.

É preciso, contudo, debater toda prova. Não há doutrinação, há, sim, um debate de ideias. Questões lançadas, o pensamento é livre. Existem muitas questões importantes ali e que parecem não ter gerado incomodo em ninguém, mas deveriam.

O que faz de você um profissional mais qualificado?

Estou formado na faculdade e estou empregado, o que não me impede de buscar outras experiências e fontes de renda. A não ser, é claro, o fato do mercado, aparentemente me julgar qualificado demais para certas funções e totalmente inapta para outras.

Recebi um e-mail em resposta a minha candidatura a uma vaga com a seguinte conteúdo:

Desculpe a demora. Conforme anunciado a vaga é de trainee e para profissionais em início de carreira. Acredito que não sei encaixe em seu perfil. Se surgirem novas vagas para profissionais mais qualificados a gente entra em contato

Essa resposta me fez pensar sobre o que é ser um profissional mais qualificado nos dias de hoje. Afinal, todos dizem que hoje um mestrado não é suficiente, no passado o segundo grau não era mais que suficiente.

Estou formado a pouco mais que um ano e não tive um variedade muito grande de experiências profissionais desde então. Tento uma vaga para algo que está fora da minha área habitual de atuação, um trabalho freelance, apenas para aumentar a renda. E recebo a resposta lida acima, resolvi responder o e-mail. e eis minha resposta:

Talvez não esperasse uma resposta minha, me desculpe por isso, mas fiquei com uma dúvida sobre o que é considerado um profissional em início de carreira. Considerei de fato, que a vaga fosse fora do meu perfil, não devido a qualquer experiência que eu tivesse, mas devido a minha formação não ser na área de comunicação ou letras, o que seria esperado de um Redator.
   Gosto de escrever e acredito ter talento para tal, por isso me interessei na vaga, além, claro, de querer aumentar meu rendimentos. Não me julgo um profissional com carreira estabelecida. Formei-me a apenas um ano, acabei de completar um ano como empregado onde trabalho. Tive algumas experiências boas e interessantes, mas isso faz de mim alguém que não pode concorrer a uma vaga de trainee? Fiquei, particularmente, chateado com a justificativa colocada para não me encaixar na vaga.
    Aceitaria se dissesse que a formação é incompatível, ou coisa do tipo. Mas sugerir que sou experiente demais para uma vaga de trainee, considero que não é uma justificativa compatível com meu perfil. Talvez, outros profissionais também se sintam prejudicados com essas justificativas de recusa de seus serviços. Espero estar contribuindo com esse e-mail.

Espero mesmo que a empresa em questão, que eu não citarei, entenda o e-mail e, quem sabe, me esclareça a dúvida do que é ser um profissional mais qualificado. Espero também ajudar outros que estão em início de carreira que estão por aí querendo achar seu lugar no mercado ou apenas afim de ganhar uma grana extra. Afinal, ninguém sai da faculdade para o emprego milionário dos sonhos, acredito que uma carreira se constrói aos poucos  e que um ou dois anos após formado você ainda está qualificado para uma vaga de trainee (ou qualquer uma que exija pouca experiência), a não ser que ela esteja muito distante da sua formação.

Eu estava algum tempo afastado do blog e sem vontade de escrever, mas hoje, depois do e-mail senti novamente essa necessidade. E escrever acaba no fim sendo uma forma de desabafar. Estava incomodado com as estatísticas que mostravam que eu era pouco lido e acessado, mas que blog conseguiu estourar da noite para o dia? Ainda mais com a incrivel concorrência que se tem hoje. Passarei a fazer daqui um lugar para os meus devaneios, desabafos e, também, como um portfólio, uma vitrine do que eu sou, do que posso ser e de minhas habilidades para o mundo. Propaganda ainda é a alma do negócio.

Momento leitura #2: Independência ou Mortos

indepoumortos_des

Para ser um Historiador não basta uma auto declaração, não basta dizer “Eu sou um Historiador”, escrever um livro qualquer sobre um fato ou pessoa do passado e pronto! É preciso que aja reconhecimento por parte da sociedade da sua condição de Historiador. Porém, muitas vezes a sociedade dá esse reconhecimento a qualquer um que escreva um obra, verdadeiramente, boa de ser lida e com um nível razoável de informações corretas sobre certo ponto no passado. Mas isso não faz do autor um Historiador.

Para ser um Historiador é necessário não apenas um reconhecimento por parte do público geral, mas o reconhecimento por parte dos pares, ou seja, de outros Historiadores. Pelo menos, é isso que Antoine Prost afirma em “Doze Lições sobre a História” e, particularmente, eu concordo. Mesmo com um diploma em mãos, só é Historiador aquele que é reconhecido pela sociedade como um todo e não apenas por seus pares, e vice-versa.

Mas o acontece quando os Historiadores, apesar de possuírem diplomas e serem reconhecidos pela comunidade de forma geral como verdadeiros profissionais da História, não divulgam de forma eficiente suas descobertas? O que acontece quando toda a produção dos Historiadores profissionais é voltada apenas para dentro dos centros acadêmicos? O que acontece quando  a História se torna um tesouro que não divido e fica escondido debaixo de palavras difíceis e expressões rebuscadas?

Acontece que outros assumem o lugar dos Historiadores e começam a escrever a História ao seu modo. Então os profissionais reclamam e reclamam sobre os trabalhos destes outros que não são Historiadores e cometem erros, divulgam informações erradas, constroem esteriótipos de personalidades históricas, romantizam os fatos… E, no fim, eles tornam a História divertida, compreensiva e atrativa.

A maioria dos Historiadores pode até não gostar da invasão em sua área e podem reclamar. Contudo, os escritores, poetas, jornalistas, artistas e afins, que usam a História, que usam os fatos do passado e esteriótipos para criar livros, quadrinhos, filmes e séries sobre assunto são extremamente necessários.

Por isso, faço questão de indicar a obra “Independência ou Mortos” de Abu Fobiya (o pai do medo) e Haroldo Stricker (o android). A obra em questão trata-se de uma História em quadrinhos sobre uma invasão Zumbi. O diferencial desse livro é o pano de fundo que ele se utiliza, nada mais que a Independência do Brasil.

A corte portuguesa vêm para o Brasil fugida da Europa e do Imperador Francês, Napoleão Bonaparte. Trouxeram para as terras brasileiras, contudo, uma doença e é D. Pedro I, no auge da infestação Zumbi, que liderá o povo brasileiro a guerra contra as bestas  e liberta o país não só dos Zumbis, mas de Portugal.

Obviamente, esta História do Brasil nunca ocorreu, mas esta HQ não tem a intenção de ensinar a História do Brasil. Na verdade, nenhuma obra literária, nenhum romance, nenhum seriado, nenhum filme, deve ter a intenção de ensinar História, mas deve ter a obrigação de despertar o interesse do público para ir aprender.

A arte quando usa da História faz isso, ela desperta o interesse e leva as pessoas a buscarem conhecer mais e entender melhor a História da humanidade e delas mesmas. Esse é o papel dos escritores, dos poetas, cineastas, jornalistas. O papel do Historiador… bem, se eles não quiserem fazer,a partir de sua pesquisas, arte… Podem continuar reclamando. Afinal isso acaba diminuindo os erros das artes e sem querer aprendemos um pouco mais de História com isso.

 

MOMENTO MUSICAL: “PEDRA LETÍCIA”, porque Goiás também faz rock!

Sem título

Quem disse que o campo musical de Goiás só fornece sertanejo para o país, muito provavelmente, não conhece a cena rock de Goiânia. Isso, se pudermos chamar o que o Pedra Letícia faz de Rock, uma vez que a sua produção é bem eclética e divertida se diferenciando bastante de outros grupos locais.

A banda surgiu em 2005 e, como tudo hoje em dia, ficou famosa graças a internet (e ao talento deles também, é claro). Composta por Fabiano Cambota (vocais), Thiago Sestini (percussão), Pedro Torres (bateria), Kuky Sanchez (baixo) e Xiquinho Mendes (guitarra).

O primeiro sucesso deles foi “Como que ‘ocê pode abandonar eu” que é apenas uma das várias musicas deles que brincam com a questão dos relacionamentos. A segundo música de sucesso deles, que os levou aos programas de televisão (ganharam até o garagem do Faustão), foi “teorema de Carlão” uma música para os homens solitários.

As músicas mais recentes da banda tem mostrado que eles estão em busca de um novo estilo, uma nova batida. Eles ainda mantém o bom humor, mas também trazem músicas mais sérias. Espero que vocês gostem da banda e das músicas, pois este foi o momento musical desse mês.

https://www.sympla.com.br/show-do-pedra-leticia-no-rio-de-janeiro__26626

Ser Charlie ou não ser Charlie?

images

A primeira edição da revista francesa Charlie Hebdo, após os atentados que levaram a morte 5 cartunistas, saiu as bancas. Na capa o que se vê é a imagem do profeta Maomé segurando uma placa onde diz “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie), assim como fizeram os manifestantes contrários ao ataque, e acima da charge se lê “Tout Est Pardonné” (tudo é perdoado).

A charge pode ser interpretada como um critica direta ao extremismo religioso, uma vez que se entenda que a religião Islâmica e seu fundador não apoiariam a atitude dos grupos radicais em atentarem contra a vida de outros seres humanos. Contudo, ao retratar a imagem do profeta a revista novamente vai em encontro direto ao conflito com todos os Islâmicos e não apenas os radicais.

Uma das principais motivações para o ataque foram as sucessivas publicações de charges onde a imagem do profeta era retratada. Segundo a religião Islâmica a imagem do profeta nunca deve ser retratada, não existe nenhum tipo de imagem nessa religião para que seus adeptos não se desviem de Deus e passem a adorar figuras e homens.  E reclamações e pedidos pacíficos para que eles parassem com este tipo de publicação não faltaram e não faltam.

A revista, no entanto, assume uma postura quase tão radical quanto os extremistas e religiosos que ela recrimina. A diferença básica consiste no tipo de radicalismo. O radicalismo da revista está no seu discurso que é forte, duro e busca chocar os leitores para levá-los não apenas a uma crítica, mas a rejeição de algo que eles julgam ser idiota, qualquer forma de religião. O radicalismo dos islâmicos, por sua vez, fica no campo da agressão e não apenas do discurso. O confronto dos grupos radicais é físico, é objetivo e é mortal, como já constatamos.

Diante desse radicalismo que vêm, ainda que de formas diferentes (mas sempre desrespeitosas), ser ou não ser Charlie? Será que podemos aderir um lado? Talvez estejam todos errados, muito errados.

Fonte da imagem: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/01/1574804-edicao-do-charlie-hebdo-se-esgota-rapidamente-em-bancas-de-paris.shtml

A difícil convivência com a diferença religiosa: radicalismo em todos os lados

Houve um período da trajetória humana onde o mundo ia até onde os olhos viam. Não se tinha conhecimento de outros povos, muitas outras tribos, muito menos de outros continentes ou países. Nem mesmo existiam países e nações, era um conceito inimaginável até então.

O ser humano continuou sua longa caminhada evolutiva, sua mente crescia e se desenvolvia de uma maneira inteiramente nova. E nossa imaginação começou a criar coisas incríveis. Nos comunicávamos melhor e começamos a nos aventurar em busca de novas regiões, novos locais, indo até onde nossa vista alcançava e descobrindo que existe muito além daquilo.

Conforme ganhamos o mundo com nossos animais domesticados, nossos transporte de terra e nossas embarcações. Entramos em contato com centenas de outros povos, tribos e civilizações e então, descobrimos uma verdade que não agradava e ainda não agrada a muitas pessoas. Não somos iguais.

Cada povo construiu ao longo de sua história uma perspectiva diferente do mundo. Para alguns o homem foi criado do barro, para outro ele veio do milho e para outros foi feito do tronco de árvores. Existiam mundos, homens e modos de vida totalmente diferente em cada novo ponto do globo.

Nada diminuiu mais a diferença entra os seres humanos do que o advento da religião. Apesar das diferenças existentes entre um povo e outro, foi a religião que permitiu que o homem forma-se grupos mais numerosos. A religião foi a primeira cola social, o primeiro elemento que unia as pessoas dentro de um mesmo ideal e sob as mesmas leis. Mais, por outro lado, dividia os povos.

A mesma cola que uniu as pessoas e fez muitos grupos humanos se tornarem estáveis e, relativamente, prósperos. Quando se encontrou em frente a sociedade com outra estrutura, com outra cola, outro cimento, não souberam o que fazer e então fizeram guerra. Pois, um pensamento diferente é inaceitável, vai contra ordem e pode, de fato, destruir mundos.

A estabilidade do tecido social é importante e é por isso que as pessoas fazem loucuras para manter a ordem social. Mas a ordem do mundo está muito mais nas ideias do que na realidade. São as ideias que mantém o mundo girando.

Contudo, o mundo não é mais aquele mundo restrito, onde dificilmente se encontrava alguém diferente. Hoje, a diferença bate a porta, entra pela televisão, pelo rádio, jornais e revistas. A diferença está no ônibus, no trem, no avião, está em todo lugar, pois os povos não se restringem mais aos seus lugares de origem. Pessoas e ideias não tem fronteira.

Religiões são sistemas de pensamentos, são formas de ver o mundo, que serviram para manter civilizações estáveis durante algum tempo. No entanto, o mundo ficou pequeno e agora esses sistemas estão em constante choque, existem compatibilidades, mas não com todos os componentes. Alguns elementos simplesmente não suportam a convivência com outras ideias e precisam defender as suas próprias, não importa o custo e agora a França e o mundo viram isso.