O textão que saiu do Facebook: Tentando diferenciar Capitalismo, Socialismo e Comunismo.

Desde de 2015 que nada era postado aqui neste blog. Porém, debates recentes nas redes sociais com alguns alunos deste que vos escreve, uma caixa de comentários com pouco espaço para textos demasiadamente longos e chatos, minha inabilidade em digitar no celular e o desejo profundo de não parecer ser aquele cara chato dos textões, motivaram o retorno deste blog.

O objetivo desse retorno das cinzas é tentar diferenciar os conceitos de capitalismo, socialismo e comunismo, cuja confusão do entendimento (inclusive da minha parte) gerou um pequeno debate, o qual não acredito que deva ficar restrito a superficialidade das redes sociais, onde corre o risco de gerar mais inimizades do que esclarecimento real.

 

Então, vamos começar por tentar definir o capitalismo, sistema econômico que rege nossa sociedade, com algumas mudanças aqui e ali, desde o século XV. Mas esse sistema não é somente econômico, ele também é político e cultural. Sim, cultural.

O capitalismo dependente, acima de tudo, da fé. É necessário que as pessoas acreditem no futuro, acreditem que a capacidade de gerar riqueza é infinita e que todo investimento irá gerar lucro e que esse lucro poderá sempre ser reinvestido e ampliado.

Acontece que nem sempre as pessoas tiveram essa fé. Como Reinhart Koselleck demostra em seu livro Futuro Passado, até o fim da idade média a expectativa do fim do mundo rondava a cristandade. Essa expectativa do fim fazia com que as pessoas vivessem de forma imediatista, não se fazia grandes planos, não se faziam investimentos de longo prazo. Ninguém sabia se estaria vivo na década seguinte. Lutero chegou a afirmar algumas vezes que o fim deveria ser esperado para o próximo ano. Mas o fim nunca chegou.

O maior desenvolvimento da matemática e da astronomia adiaram ainda mais o fim, mostrando que esse fim poderia chegar e a ciência poderia prevê-lo, mas ele não chegaria tão cedo. Isso foi dando maiores esperanças a humanidade que ao invés de ter pesadelos com o apocalipse, sonhava com tempos de felicidade e liberdade, ainda por vir e que seriam construídos pelo homem, como dizia o revolucionário francês Robespierre.

Outra crença medieval era de que a riqueza do mundo era finita, limitada. Uma pessoa só poderia ser rica se estivesse tirando a riqueza de outro. Mas e se fosse possível gerar mais riqueza?

Iluminismo, revolução, industrial e revolução cientifica. Esses movimentos traziam  em comum a ideia de progresso. O progresso, como Yuval Harari aponta em Sapiens: uma breve História da humanidade, quem acreditava no progresso, acreditava também que descobertas cientificas, geográficas e invenções diversas eram capazes de aumentar a riqueza total e acelerar o desenvolvimento. Por acreditar nisso, elas investiam mais nisso. Elas davam crédito para a produção.

“O crédito nos permite construir o presente à custa do futuro. Baseia-se no pressuposto de que nossos recursos futuros serão muito mais abundantes do que nossos recursos presentes. Se pudermos construir coisas no presente usando receitas futuras, abre-se diante de nós uma série de oportunidades maravilhosas.”

(HARARI, Yuval Noah. Uma breve História da Humanidade. Porto Alegre, RS: L&PM, 2015.) 

Em Crash: uma breve história da economia – da Grécia antiga ao século XXI, o autor Alexandre Versignassi, fala sobre como essa crença no crédito deu origem as primeiras bolsas de valores do mundo, na Holanda e na Inglaterra, ainda em torno de 1600. A abertura da possibilidade de qualquer individuo poder fazer investimentos em qualquer setor promissor é uma das causas do aumento da classe burguesa. Todos agora podiam aumentar suas riquezas.

Adam Smith, considerado o pai do liberalismo (doutrina econômica que sustenta teoricamente o capitalismo como sistema) publicou A riqueza das nações em 1776. Nesta obra ele estabelece o principio básico do capitalismo. Para que haja desenvolvimento econômico, a nação precisa reinvestir o lucro obtido na produção no aumento da produção.

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O grande mérito de Adam Smith foi convencer todos a acreditar que ao aumentar a produção, o empresário obteria maiores lucros, reinvestiria esses lucros na contratação de mais funcionários e, assim geraria mais empregos. Ou seja, para Adam Smith ao pensar em si mesmo o capitalista estaria pensando no coletivo. Ao pensar em aumentar sua produção, ele colaboraria para o desenvolvimento social.

Porém, o que Adam Smith não previu foi, por exemplo, que o aumento constante da produção pressupõe que exista um mercado consumidor para absorver essa produção. Em busca de mercados consumidores, os Estados europeus adotaram medidas imperialistas, ou seja, de dominação de outros países menos desenvolvidos, mas capazes de sustentar as economias europeias pela compra de sua produção. Isso ocasionou fatos como a partilha da África e a primeira guerra mundial.

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Além disso, o aumento constante da produção da produção exige um sistema de compra permanente. Ou seja, as pessoas não podem parar de consumir, por isso os mercados capitalistas estimulam constantemente o consumo. Se as pessoas reduzem o consumo, as empresas são obrigadas a parar de fabricar, os funcionários perdem a utilidade, são demitidos e o consumo reduz ainda mais. Então basta pegar tudo isso, botar o palitinho, por no congelador e tá pronta a crise.

Algo assim já aconteceu em 1929, e serviu para mostrar que a teoria do livre mercado defendida por Adam Smith não estava tão certa assim. O filme Uma mente brilhante, mostra como alguns anos depois o matemático John Nash vai provar matematicamente que ser egoísta não é tão bom quanto Smith achava.

Outro erro no pressuposto do aumento constante da produção é considerar que os recursos para tal aumento sejam infinitos. Tudo bem, para isto os empresários investem em ciência, para que novas descobertas revelem formas sempre mais baratas e melhores de fornecer energia para indústria ou matéria-prima. O problema é que, normalmente, quando eles investem nessas pesquisas tecnológicas significa que os recursos naturais já estão no limite, os lucros estão ameaçados e a natureza… quem liga pra natureza, não é mesmo?

A lógica do mercado ainda é imediatista. Prioriza os ganhos imediatos e os lucros de curto prazo, que proporcionam aumento rápido da produção. A maioria dos empresários incorporaram a crença de que o fim está distante, e não deixa de estar. Mas eles acreditam que o aquecimento global não existe, que a Amazônia nunca irá virar um deserto (Vai lá amiguinho, pode desmatar sim!). Talvez, nada disso aconteça no tempo de vida deles. Mas e a responsabilidade com as gerações futuras?

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Essas são criticas mais recentes ao sistema capitalista, que por definição é um sistema que visa o aumento da produção e o lucro. Em sua etapa industrial de desenvolvimento outros problemas surgiram ainda do capitalismo. A exploração da classe trabalhadora.

Na Inglaterra a mecanização e o cercamento dos campos, levou milhares de pessoas a ir para as cidades, onde foram empregadas nas fábricas. Os donos das fábricas aproveitaram da grande oferta de mão-de-obra (e nenhuma lei de trabalhista) para pagar salários cada vez mais baixos, usar crianças menores de nove ou oito anos para trabalhar, exigir um número absurdo de horas dos trabalhadores que trabalhavam em condições insalubres, dentre outros abusos.

Desse aproveitamento surgiram movimentos de revindicação de direitos aos trabalhadores como o socialismo. O socialismo em sua origem tratava-se de um conjunto de críticas ao capitalismo, aqueles que eram contrários a esse socialismo inicial o chamavam de socialismo utópico, por pregar uma sociedade igualitária, livre da propriedade privada, sem problemas sociais, mas sem definir ao certo como chegar até essa sociedade.

A teoria que que se propôs a solucionar essa questão veio, principalmente a partir de Karl Marx e que ganhou força com o Manifesto Comunista publicado em 1848. O socialismo de Marx foi chamado de socialismo cientifico.

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Marx não havia lido Adam Smith e outros teóricos do capitalismo e, por incrível que pareça, não negava suas teorias. Marx entendia que a acumulação de capital era uma fase essencial do processo que levaria a humanidade ao comunismo. O capitalismo era apenas uma das etapas do processo. Para ele, no ponto máximo do desenvolvimento do capitalismo, a embate entre classes, a luta entre a burguesia e o proletariado teria seu fim com o proletariado assumindo o poder do Estado e fundando uma sociedade socialista.

Na etapa socialista haveria um processo de coletivização dos meios de produção, onde os operários passariam a ter o controle dos meios de produção. Pois “se a classe operária tudo produz, a ela tudo pertence”. Segundo Marx, no momento socialista o Estado, agora nas mãos da classe operária, deixaria de ser um elemento de repressão para se tornar elemento articulador da vida social. No comunismo, o Estado não seria mais necessário.

Se levarmos em conta a teoria Socialista Marxista, não houve nenhum país comunista no mundo. O comunismo pressupõe uma sociedade onde a articulação social é conduzida por associações e não pelo Estado, este não é necessário. Já experiências socialistas tivemos algumas, mas elas possuíam características próprias, sendo diferentes entre si e diferentes do que Marx havia definido como sociedade socialista.

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A principal contribuição de Marx foi, na verdade, não o desenvolvimento de um plano para construção do socialismo ou comunismo, sua contribuição maior para a história foi sua análise e estudo do sistema capitalista, desvendando seus mecanismos de funcionamento e seus pontos falhos. E ele não fez esse estudo afim de construir uma sociedade onde todos fossem iguais. O ponto central da obra de Marx não trata de igualdade, trata de liberdade.

Marx escrevia em um momento em que a Europa passava por várias revoluções. Na maioria das manifestações populares os gritos por direitos políticos se faziam presentes. Porém, de que adiantaria poder exercer seu livre direito de participar da política, de falar abertamente, de ir e vir e continuar preso a lógica de consumo e produção do mercado, continuar preso nas relações desiguais de troca entre as classes?

No capitalismo o poder está na mão daquele que detém o capital, ou seja, daquele que detém os meios de produção e os meios para aumentar essa produção. É o capitalista que determinar para onde vão os investimentos. O capitalista determina como se darão as relações de troca. Para Marx a emancipação política é pouco, é necessário que haja a emancipação social. Essa só viria pela revolução socialista.

Da mesma maneira que o capitalismo pensando por autores como Adam Smith não foi bem sucedido, gerando crises econômicas, formação de cartéis, depredação ambiental, consumismo excessivo, exploração e alienação da classe trabalhadora, detre outros problemas, as tentativas de revolução socialista que ocorreram no mundo não tenham dado certo e acabaram provocando a existência de regimes autoritários com pouca ou nenhuma liberdade de expressão e de desenvolvimento mais lento.

As críticas oriundas das teorias socialistas, em especial a marxista, nos deram, contudo, os elementos necessários para estabelecer reformas econômicas e políticas capazes de ao menos reduzir o conflito entre as classes, mantendo o desenvolvimento (que poderia ser mais sustentável) e construindo um mundo que cada vez mais se aproxima de tempos de felicidade e liberdade.

Não se trata, portanto, de aderir a um lado especifico e defender um ou outro. Mas de se entender que ambos os sistemas na teoria ou na prática deram contribuições importantes para a construção do mundo atual e ainda podem ser usados na construção do mundo futuro melhor.

FONTES E REFERÊNCIAS:

1- LIVROS:

  • HARARI, Yuval Noah. Sapiens: Uma breve história da humanidade. Porto Alegre, RS: L&PM, 2015.
  • KOSELLECK, Reinhart. Futuro Passado: Uma contribuição a semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. PUC-Rio, 2006.
  • VERSIGNASSI, Alexandre. Uma Breve História da economia – da Grécia antiga ao século XXI. São Paulo: Leya, 2011.
  • WEFFORT, Francisco C. Os clássicos da política. vol. II. São Paulo: Ática, 2001

2- PODCASTS

3- VÍDEOS E FILMES

 

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ENEM DA DOUTRINAÇÃO

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Vários foram os comentários criticando a prova o ENEM de 2015, pelo conteúdo das questões e os temas abordados. Mas, afinal de contas, qual é o problema dos temas abordados ou das questões?

Houveram, em História, questões sobre a Idade Média, sobre a era Vargas, sobre a ditadura no Brasil… temas recorrentes, não apenas no Enem, em qualquer vestibular ou prova de história.

As surpresas, que geraram comentários, foram a citação de textos de autores considerados feministas ou adotados por feministas, como Simone Beauvoir, e o tema da violência contra mulher. E, então, começam, por isso, as acusações de “doutrinação marxista” e coisas do tipo.

O fato é que o Enem, enquanto exame de qualificação dos alunos oriundos do ensino médio precisa analisar a capacidade dos alunos de abordar temas que estão sendo debatidos no momento em que eles vivem. Violência contra a mulher e debates de gênero e identidade sexual são questões que fazem parte da mídia brasileira a alguns anos e, devido a movimentos sociais recentes, tem crescido continuamente sua visibilidade. Elas precisavam estar na prova.

Um tema que estava na prova, é atual, e não gerou polêmica, foram os atentados terroristas aos centros históricos no Iraque. Qual a razão para essa questão, por exemplo, não ter sido comentada nem ter se tornado pauta das redes sociais?

Criticar as pautas ditas feministas em uma prova de ensino médio, que busca alinhamento com o mundo atual, parece mais importante que ressaltar seu caráter de luta pelas minorias, pela preservação da história e pelo reconhecimento da igualdade entre os indivíduos, que enquanto humanidade deveriam viver em paz.

O texto de Simone de Beauvoir apenas foi usado para ilustrar acontecimentos sociais do passado que ainda reverberam na atualidade. Não tem por objetivo doutrinar ninguém, mas sim despertar para debates e discussões. E pelo visto atingiu seu objetivo.

É preciso, contudo, debater toda prova. Não há doutrinação, há, sim, um debate de ideias. Questões lançadas, o pensamento é livre. Existem muitas questões importantes ali e que parecem não ter gerado incomodo em ninguém, mas deveriam.

O que faz de você um profissional mais qualificado?

Estou formado na faculdade e estou empregado, o que não me impede de buscar outras experiências e fontes de renda. A não ser, é claro, o fato do mercado, aparentemente me julgar qualificado demais para certas funções e totalmente inapta para outras.

Recebi um e-mail em resposta a minha candidatura a uma vaga com a seguinte conteúdo:

Desculpe a demora. Conforme anunciado a vaga é de trainee e para profissionais em início de carreira. Acredito que não sei encaixe em seu perfil. Se surgirem novas vagas para profissionais mais qualificados a gente entra em contato

Essa resposta me fez pensar sobre o que é ser um profissional mais qualificado nos dias de hoje. Afinal, todos dizem que hoje um mestrado não é suficiente, no passado o segundo grau não era mais que suficiente.

Estou formado a pouco mais que um ano e não tive um variedade muito grande de experiências profissionais desde então. Tento uma vaga para algo que está fora da minha área habitual de atuação, um trabalho freelance, apenas para aumentar a renda. E recebo a resposta lida acima, resolvi responder o e-mail. e eis minha resposta:

Talvez não esperasse uma resposta minha, me desculpe por isso, mas fiquei com uma dúvida sobre o que é considerado um profissional em início de carreira. Considerei de fato, que a vaga fosse fora do meu perfil, não devido a qualquer experiência que eu tivesse, mas devido a minha formação não ser na área de comunicação ou letras, o que seria esperado de um Redator.
   Gosto de escrever e acredito ter talento para tal, por isso me interessei na vaga, além, claro, de querer aumentar meu rendimentos. Não me julgo um profissional com carreira estabelecida. Formei-me a apenas um ano, acabei de completar um ano como empregado onde trabalho. Tive algumas experiências boas e interessantes, mas isso faz de mim alguém que não pode concorrer a uma vaga de trainee? Fiquei, particularmente, chateado com a justificativa colocada para não me encaixar na vaga.
    Aceitaria se dissesse que a formação é incompatível, ou coisa do tipo. Mas sugerir que sou experiente demais para uma vaga de trainee, considero que não é uma justificativa compatível com meu perfil. Talvez, outros profissionais também se sintam prejudicados com essas justificativas de recusa de seus serviços. Espero estar contribuindo com esse e-mail.

Espero mesmo que a empresa em questão, que eu não citarei, entenda o e-mail e, quem sabe, me esclareça a dúvida do que é ser um profissional mais qualificado. Espero também ajudar outros que estão em início de carreira que estão por aí querendo achar seu lugar no mercado ou apenas afim de ganhar uma grana extra. Afinal, ninguém sai da faculdade para o emprego milionário dos sonhos, acredito que uma carreira se constrói aos poucos  e que um ou dois anos após formado você ainda está qualificado para uma vaga de trainee (ou qualquer uma que exija pouca experiência), a não ser que ela esteja muito distante da sua formação.

Eu estava algum tempo afastado do blog e sem vontade de escrever, mas hoje, depois do e-mail senti novamente essa necessidade. E escrever acaba no fim sendo uma forma de desabafar. Estava incomodado com as estatísticas que mostravam que eu era pouco lido e acessado, mas que blog conseguiu estourar da noite para o dia? Ainda mais com a incrivel concorrência que se tem hoje. Passarei a fazer daqui um lugar para os meus devaneios, desabafos e, também, como um portfólio, uma vitrine do que eu sou, do que posso ser e de minhas habilidades para o mundo. Propaganda ainda é a alma do negócio.

Momento leitura #2: Independência ou Mortos

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Para ser um Historiador não basta uma auto declaração, não basta dizer “Eu sou um Historiador”, escrever um livro qualquer sobre um fato ou pessoa do passado e pronto! É preciso que aja reconhecimento por parte da sociedade da sua condição de Historiador. Porém, muitas vezes a sociedade dá esse reconhecimento a qualquer um que escreva um obra, verdadeiramente, boa de ser lida e com um nível razoável de informações corretas sobre certo ponto no passado. Mas isso não faz do autor um Historiador.

Para ser um Historiador é necessário não apenas um reconhecimento por parte do público geral, mas o reconhecimento por parte dos pares, ou seja, de outros Historiadores. Pelo menos, é isso que Antoine Prost afirma em “Doze Lições sobre a História” e, particularmente, eu concordo. Mesmo com um diploma em mãos, só é Historiador aquele que é reconhecido pela sociedade como um todo e não apenas por seus pares, e vice-versa.

Mas o acontece quando os Historiadores, apesar de possuírem diplomas e serem reconhecidos pela comunidade de forma geral como verdadeiros profissionais da História, não divulgam de forma eficiente suas descobertas? O que acontece quando toda a produção dos Historiadores profissionais é voltada apenas para dentro dos centros acadêmicos? O que acontece quando  a História se torna um tesouro que não divido e fica escondido debaixo de palavras difíceis e expressões rebuscadas?

Acontece que outros assumem o lugar dos Historiadores e começam a escrever a História ao seu modo. Então os profissionais reclamam e reclamam sobre os trabalhos destes outros que não são Historiadores e cometem erros, divulgam informações erradas, constroem esteriótipos de personalidades históricas, romantizam os fatos… E, no fim, eles tornam a História divertida, compreensiva e atrativa.

A maioria dos Historiadores pode até não gostar da invasão em sua área e podem reclamar. Contudo, os escritores, poetas, jornalistas, artistas e afins, que usam a História, que usam os fatos do passado e esteriótipos para criar livros, quadrinhos, filmes e séries sobre assunto são extremamente necessários.

Por isso, faço questão de indicar a obra “Independência ou Mortos” de Abu Fobiya (o pai do medo) e Haroldo Stricker (o android). A obra em questão trata-se de uma História em quadrinhos sobre uma invasão Zumbi. O diferencial desse livro é o pano de fundo que ele se utiliza, nada mais que a Independência do Brasil.

A corte portuguesa vêm para o Brasil fugida da Europa e do Imperador Francês, Napoleão Bonaparte. Trouxeram para as terras brasileiras, contudo, uma doença e é D. Pedro I, no auge da infestação Zumbi, que liderá o povo brasileiro a guerra contra as bestas  e liberta o país não só dos Zumbis, mas de Portugal.

Obviamente, esta História do Brasil nunca ocorreu, mas esta HQ não tem a intenção de ensinar a História do Brasil. Na verdade, nenhuma obra literária, nenhum romance, nenhum seriado, nenhum filme, deve ter a intenção de ensinar História, mas deve ter a obrigação de despertar o interesse do público para ir aprender.

A arte quando usa da História faz isso, ela desperta o interesse e leva as pessoas a buscarem conhecer mais e entender melhor a História da humanidade e delas mesmas. Esse é o papel dos escritores, dos poetas, cineastas, jornalistas. O papel do Historiador… bem, se eles não quiserem fazer,a partir de sua pesquisas, arte… Podem continuar reclamando. Afinal isso acaba diminuindo os erros das artes e sem querer aprendemos um pouco mais de História com isso.

 

MOMENTO MUSICAL: “PEDRA LETÍCIA”, porque Goiás também faz rock!

Sem título

Quem disse que o campo musical de Goiás só fornece sertanejo para o país, muito provavelmente, não conhece a cena rock de Goiânia. Isso, se pudermos chamar o que o Pedra Letícia faz de Rock, uma vez que a sua produção é bem eclética e divertida se diferenciando bastante de outros grupos locais.

A banda surgiu em 2005 e, como tudo hoje em dia, ficou famosa graças a internet (e ao talento deles também, é claro). Composta por Fabiano Cambota (vocais), Thiago Sestini (percussão), Pedro Torres (bateria), Kuky Sanchez (baixo) e Xiquinho Mendes (guitarra).

O primeiro sucesso deles foi “Como que ‘ocê pode abandonar eu” que é apenas uma das várias musicas deles que brincam com a questão dos relacionamentos. A segundo música de sucesso deles, que os levou aos programas de televisão (ganharam até o garagem do Faustão), foi “teorema de Carlão” uma música para os homens solitários.

As músicas mais recentes da banda tem mostrado que eles estão em busca de um novo estilo, uma nova batida. Eles ainda mantém o bom humor, mas também trazem músicas mais sérias. Espero que vocês gostem da banda e das músicas, pois este foi o momento musical desse mês.

https://www.sympla.com.br/show-do-pedra-leticia-no-rio-de-janeiro__26626

Ser Charlie ou não ser Charlie?

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A primeira edição da revista francesa Charlie Hebdo, após os atentados que levaram a morte 5 cartunistas, saiu as bancas. Na capa o que se vê é a imagem do profeta Maomé segurando uma placa onde diz “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie), assim como fizeram os manifestantes contrários ao ataque, e acima da charge se lê “Tout Est Pardonné” (tudo é perdoado).

A charge pode ser interpretada como um critica direta ao extremismo religioso, uma vez que se entenda que a religião Islâmica e seu fundador não apoiariam a atitude dos grupos radicais em atentarem contra a vida de outros seres humanos. Contudo, ao retratar a imagem do profeta a revista novamente vai em encontro direto ao conflito com todos os Islâmicos e não apenas os radicais.

Uma das principais motivações para o ataque foram as sucessivas publicações de charges onde a imagem do profeta era retratada. Segundo a religião Islâmica a imagem do profeta nunca deve ser retratada, não existe nenhum tipo de imagem nessa religião para que seus adeptos não se desviem de Deus e passem a adorar figuras e homens.  E reclamações e pedidos pacíficos para que eles parassem com este tipo de publicação não faltaram e não faltam.

A revista, no entanto, assume uma postura quase tão radical quanto os extremistas e religiosos que ela recrimina. A diferença básica consiste no tipo de radicalismo. O radicalismo da revista está no seu discurso que é forte, duro e busca chocar os leitores para levá-los não apenas a uma crítica, mas a rejeição de algo que eles julgam ser idiota, qualquer forma de religião. O radicalismo dos islâmicos, por sua vez, fica no campo da agressão e não apenas do discurso. O confronto dos grupos radicais é físico, é objetivo e é mortal, como já constatamos.

Diante desse radicalismo que vêm, ainda que de formas diferentes (mas sempre desrespeitosas), ser ou não ser Charlie? Será que podemos aderir um lado? Talvez estejam todos errados, muito errados.

Fonte da imagem: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/01/1574804-edicao-do-charlie-hebdo-se-esgota-rapidamente-em-bancas-de-paris.shtml